QUANDO A HUMANIDADE MORRE - Joneval Junio Chaveiro

01/12/2015 18:01

 

Ao abrir o jornal pela manhã, uma notícia me fez ficar pensativo. Na manchete: “Ladrão é preso em poste e morto a pauladas”. Tal fato me deixou a refletir sobre o ocorrido, não tão somente ao fato, mas todo o contexto a qual vivemos. Veio-me a seguinte dúvida: quando um homem pode matar outro homem

Mais me senti pela morte a pauladas do que pelo fato de ser um ladrão. Mas não foi dessa forma que o autor da reportagem quis expressar. Observe que poderia ter substituído o “ladrão” por “homem”, mas não! Afinal, quem se importaria com um “entojo”? Talvez as palavras foram colocadas realmente no intuito de não se entender o que se sente. Sensações contraditórias. Compaixão pela morte de um ser humano, que se torna um alívio pelo mesmo motivo. Uma convulsão de sentimentos, por não saber como harmonizá-los. Mas tenho a certeza que todos, pelo menos a maioria prefere ter a sensação de que salvou de si mesmo. Então para saciar nosso egoísmo, pensar que morreu um ladrão é bem mais confortável do que a morte de um homem. Somos os sonsos convenientes.

Por que matar um homem a pauladas? Por que tirar a vida de alguém? Essas perguntas cutucam minha cabeça, se a primeira lei, a que carregamos conosco desde o nascimento, é a de que não matarás. Contudo a covardia se depõe à justiça.

Essa justiça que guarda meu sono, eu a rejeito, aniquilado por precisar dela. Enquanto dormimos falsamente nos salvamos. Esquecemo-nos que debaixo deste solo, há um chão que pode ser erguido um novo alicerce, uma nova casa, sem represas de sentimentos e opiniões.

Desviamos o olhar ou, até mesmo fechamos os olhos, para não corrermos o risco de nos entendermos.

A maldade de um homem, não pode ser entregue à maldade de outro homem, um mal não justifica outro mal. Não estamos retirando um mal, estamos acobertando outro mal, que ficará guardado até que a própria consciência seja o júri.

Mal por mal, crime por crime... a humanidade morre. As pálpebras não se levantam para a dor do próximo. Apenas prefere guardar os espelhos na esperança de nunca sentir vergonha da própria consciência.

Vejo em mim, o outro. Quero ver no outro, a mim mesmo. Assim não causo dor ao outro, por consequente, não deixem que façam mal a mim. Isso me faz com que eu dê o que comer a um homem, não porque eu tenha comida, mas porque, também eu, sei o que é fome.

Não quero mais morar nesta casa, quero ver a justiça dando chance a todos. Quero uma justiça que vê o homem antes de ver o criminoso.

 

Joneval Junio Chaveiro

Email: jonevaljunio@hotmail.com