BANANA DA TERRA - Endrigo Pereira da Silva

05/05/2014 12:00

 

Quem dera que no Brasil a ofensa racial se manifestasse somente sob a forma de brancos imitando macacos e jogando bananas.
Garanto que milhões de saguis (inhos) famintos – periferias afora –, sorririam, comeriam a fruta, agradeceriam pela refeição e, noutro dia, o dobro, estaria presente no mesmo lugar esperando.
Quem dera que o braço direito verticalmente flexionado e com o punho fechado, somado a mão esquerda sob os bíceps, tornasse um sinal único de desacato, desafeto e violência.
Quem dera se hoje em dia, nas comunidades espalhadas por esse imenso bananal verde-amarelo, a vida de um "macaco" não estivesse a "preço de banana"!
Quem dera se, cotidianamente, nossos únicos obstáculos fossem cascas de "nanicas" jogadas nas calçadas. Dessa forma, com certeza, nossos tombos seriam muito mais rasos e estaríamos a um passo de resolver nossos problemas de acessibilidade.
Que sonho seria se cada macaco tivesse sua árvore, se as cidades tivessem árvores. Quem dera se todos os primatas tivessem acesso à universidade pública, tal como acontece com a comunidade de macacos prego, símbolo presente e querido, do Campus Samambaia da Universidade Federal de Goiás.
Sim, eu sei, alguns macacos têm sorte!
Quem dera se todos entendessem as razões e parassem de gritar por aí: – NÃO AS COTAS! –, para "orangotangos”, “chimpanzés”, e “bugios".
Quem dera se todos aplaudissem os "Veterinários Cubanos"!
Quem dera se nos gabinetes, nossos "gorilas de costas prateadas", parassem de pagar "mico" e dividissem melhor as bananas. Assim seríamos um pais sem fome e sem câimbras!
Fiquei feliz com a simplicidade e potência simbólica do ato do nosso faminto lateral direito.
Macacada, fico mais feliz ainda, por ver que daqui a menos de um mês e meio, o mundo estará olhando nossas macaquices.
Acho que podemos ter encontrado, por acaso, um símbolo positivo para a FESTA NA FLORESTA, já que não há outro jeito!
Pensemos: já somos amarelos mesmo, podemos fazer a copa das bananas.
Bananas para tudo que há de errado fora e uma banana para o racismo dentro dos estádios.
Resgataríamos Carmem Miranda! Como Drummond já nos disse que não se pode "sozinho DINAMITAR a Ilha de Manhattam". O que fazer com essa BANANA, visto que não estamos sozinhos? Tentações da alma.
-"Endrigo, – grita a razão – você sabe que depois de amanhã todos se esquecerão disso, e voltarão a maltratar os babuínos das portarias, os que os servem cerveja e os que varrem suas ruas; sussurrarão que lugar de macaco é embaixo dos carros. Você sabe “Tião”, que o mundo só se solidarizou com o Daniel (jogador de fubebol), pois se trata de um animal em extinção (o mico-leão-dourado-prateado-cheio-de-grana), que habita os campos europeus. Vamos Endrigo, você é um ‘macaco velho e gordo', ouça-me! Vamos, 'quebre meu galho', seja racional! Você está olhando tudo ao contrário. Rápido, corrija-se, erga-se e pare agora mesmo de PLANTAR BANANEIRA!”.

 

Endrigo Pereira da Silva

endrigohist@yahoo.com.br